segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Chuva

Neste mundo tão trágico, tamanho,
Como eu me sinto fundamente estranho
E o amor e tudo para mim avaro... 


Ah! como eu sinto compungidamente,
Por entre tanto horror indiferente, 
Um frio sepulcral de desamparo! 


"Só!" - Cruz e Sousa


10/01/2011 de manhã

mas, com este clima, parece não haver tempo. estou na área. em que lugar melhor poderia estar? o barulho constante da água me conforta. e, contrapondo-se à forte paz embriagante que até ontem me inundava, sou subitamente tomada por um intenso sentimento de solidão e desamparo. subitamente todas as pessoas próximas tornaram-se tão distantes!... uma espécie de abandono. mas aí vejo que me engano, pois não posso esperar acolhimento de ninguém, a não ser de mim mesma. ainda chove. felizmente, ainda chove. enquanto meu pequeno cão observa admirado, pareço me desligar deste mundo e não sentir senão a chuva, como se igualmente chovesse dentro de mim. todas as minhas perguntas sem respostas, todas as minhas tentativas vãs... uma coisa é certa - tenho sangue correndo nas veias, e isso basta. há exatamente sete livros em meu colo, como se algumas de suas palavras me pudessem preencher um pouco deste vazio mortal. e o coração acelera desenfreado e a respiração ofega. que importa? sinto-me perto de mim, uma admirável desconhecida. longe, mais do que longe de qualquer coisa neste mundo. bolhas de ar sobre a água no chão. quase me desenham um discreto sorriso. respiro fundo. fechar os olhos, ouvir-sentir a chuva. a coisa mais parecida com tranquilidade aqui fora, enquanto escuto e sinto as fortes batidas aqui dentro.

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