sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Livres para obedecer...

Como descrever esta alma, tão encantada pelo fantástico e pelo sobrenatural - supondo que uma alma existe, e que o fantástico e o sobrenatural existem como tais, e não apenas como fantasiosa criação da mente humana, pura imaginação. Como descrever o fascínio diante de cada mínimo detalhe cuja magia passa sempre despercebida, num mundo em que a existência tornou-se vazia... Sem razão, sem significado, sem sentido. Em que a beleza não é vista a partir do mais profundo âmago das coisas e dos seres, mas como pálidas impressões sobre os vagos contornos da superfície, baseando-se sempre em patéticos padrões... Um mundo em que não há espaço ou respeito ao diferente, apenas aversão e pavor. Existência em que luz e trevas não são vistas como irmãs gêmeas, lados indissociáveis de uma mesma moeda. Ao contrário, inimigas mortais, sempre contrapostas em uma luta vã. Extremos, sempre extremos... Conceitos predeterminados e IMPOSTOS como verdades absolutas, nos quais até o mais belo ritual de celebração da união entre dois seres, sua suprema comunhão com o universo, é indiscriminadamente desrespeitado e posto sob rótulos perversos. "Impuro"... O que vem a ser pureza pra você? Formas de pensar que pela sedução através de um caminho aparentemente alternativo, aprisionam até a mente do mais livre pensador - quando este se desvencilha das prisões convencionais para unir-se a outras, ilusoriamente distintas, indistintamente iguais. Em tal mundo, pequeno grande mundo, este ser, que não aceita respostas prontas, que se acha pequeno demais para ter verdades nas mãos, que não busca impor o que quer que seja a um semelhante, que tenta, sem repúdio, apreender e compreender tudo o que lhe é exposto... não, este ser não merece a mais ínfima consideração ou ao menos respeito por suas reles ideias. Não merece o DIREITO de pensar, tão menos a chance de ser ouvido. De ter por outro admitido o valor de sua humilde compreensão sobre a aparente realidade que o cerca. Não, de forma alguma! Estes seres que se negam a ingerir blocos de "verdades" prontas, atrevendo-se a questionar, ousando ser autores de suas próprias ideias... são seres desprezíveis. Pequenos, mínimos, dada a expansão de suas insaciáveis mentes. Devem ser banidos do convívio social para que possam ser mantidas na mais perfeita paz a doença e a insanidade do mundo. Deste modo a vida se nos apresenta, deste modo há de ser. Acompanhe-me, criatura livre que se atreve a pensar.

Recolhamo-nos à nossa insignificância.

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